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A Ciclofosfamida Oferece
Benefícios Modestos à Esclerose Pulmonar:
O primeiro estudo randomizado controlado para avaliar
a droga na doença pulmonar intersticial mostrou
uma lentificação no declínio funcional
A droga imunossupressora ciclofosfamida pode atenuar
o declínio na função pulmonar que
ocorre com a esclerodermia, de acordo com um estudo
multicêntrico recente. Os achados da investigação
sugerem que diferenças na função
pulmonar, na pequena proporção de 2% a
3%, podem melhorar a qualidade de vida entre pacientes
com esclerodermia.
Perda da capacidade vital na esclerodermia encurta
a vida e aumenta a morbidade, disse em uma entrevista
o co-autor do estudo, Dr. Philip Clements, da Universidade
da Califórnia, Los Angeles. Embora a função
pulmonar não tenha melhorado em pacientes tomando
ciclofosfamida (Genuxal) no estudo, eles tiveram menor
deterioração que aqueles que tomaram placebo,
afirmou.
Cerca de 60% a 70% dos pacientes com esclerodermia morrem
no prazo de 10 anos. A maioria desenvolve doença
pulmonar intersticial (cicatrizes nos pulmões).
Cerca de 15% dos pacientes terão doença
pulmonar grave com capacidade vital forçada (medida
da função do pulmão) de menos de
50% do normal.
O novo estudo, conhecido como Scleroderma Lung Study
(Estudo de Esclerodermia Pulmonar), é o primeiro
estudo amplo, randomizado (pacientes escolhidos ao acaso),
controlado (pacientes sorteados para receber o remédio
ou placebo), duplo-cego (nem o médico nem o paciente
sabem qual o remédio está sendo dado a
cada participante), a investigar a influência
da ciclofosfamida sobre a função pulmonar
em pacientes com esclerodermia com fibrose do pulmão.
O objetivo é observar se a ciclofosfamida é
efetiva precocemente no curso da doença pulmonar
da esclerodermia, antes que cause danos irreversíveis.
O Dr. Clements e seus colegas incluíram 156 pacientes
com esclerodermia com menos de 7 anos de duração,
que tinham dificuldade para respirar, a aparência
de vidro fosco nos exames de tomografia
computadorizada (TC) pulmonar, e capacidade pulmonar
menor que 85% do normal previsto.
Os pesquisadores randomizaram (sortearam) pacientes
para receber placebo ou ciclofosfamida. Em média,
os pacientes tinham 48 anos de idade e sofriam de esclerodermia
por 3 anos; 71% eram mulheres. Sua capacidade vital
forçada era de 68%, a capacidade pulmonar total
era de 70% e a capacidade de difusão (difusão
de gases dos vasos para o pulmão e vice-versa)
era de 47%.
Recentemente os autores apresentaram os resultados de
12 meses do seu estudo de 2 anos, durante um simpósio
na reunião anual de 2005 da Sociedade Torácica
Americana, em San Diego na Califórnia. Os resultados
sugerem que a ciclofosfamida é modestamente efetiva.
O declínio na função pulmonar foi
2,3% menor no grupo ciclofosfamida que no grupo placebo.
A diferença entre os grupos na função
pulmonar é estatisticamente significativa, disse
o Dr. Clements. Mas ainda é discutível
se ela é clinicamente significativa, reconheceu.
O Dr. Clements salientou que a ciclofosfamida pode não
ajudar os pacientes com doença crônica
existente há muito tempo. A limitação
aqui é que olhamos apenas para a doença
precoce. A fibrose na doença tardia pode
ser mais intratável, sugeriu.
O saldo dos resultados secundários do estudo
foi encorajador. Os pacientes tomando ciclofosfamida
tiveram escores significativamente melhores no índice
de dispnéia de transição (falta
de ar), uma medida de alterações na dispnéia
ao longo do tempo.
Está bem claro que as pessoas que tomaram
ciclofosfamida tiveram menos falta de ar, disse
o Dr. Clements. As pessoas que tomaram placebo
ficaram piores. Foi um efeito muito forte. Os
escores de espessamento da pele também melhoraram
significativamente em pacientes com esclerodermia difusa
que receberam ciclofosfamida. A ciclofosfamida pareceu
oferecer melhoras significativas nas medidas sutis e
subjetivas de auto-avaliação de saúde
em vitalidade e ânimo (como marcados por
escala denominada SF-36) assim como na saúde
ao longo do tempo. As alterações nos escores
de índice de inabilidade do HAQ (Questionário
de Avaliação de Saúde) foram significativamente
melhores no grupo ciclofosfamida na marca do mês
12, embora esses tenham sido considerados minimamente
significativos do ponto de vista clínico.
Contudo, as notícias não foram todas boas.
As perdas de pacientes em ambos os grupos foram substanciais.
No grupo ciclofosfamida, 26 dos 80 pacientes (33%) pararam
de tomar a droga até o mês 12 , de acordo
com o Dr. Clements. No grupo controle, 21 dos 76 pacientes
(28%) pararam de tomar placebo. Dois efeitos colaterais
uma redução na contagem de células
brancas do sangue e sangue na urina foram significativamente
maiores no grupo ciclofosfamida (em 19% e 11%) que no
grupo placebo (0% e 4%). Os pacientes tomando ciclofosfamida
tiveram também um número maior de eventos
adversos sérios (17 vs. 11), mas a diferença
não foi estatisticamente significativa. Também
não houve diferença significativa no número
de pacientes que desenvolveram pneumonia (cinco vs.
um).
Os autores atribuíram muitos dos eventos adversos
ao curso natural da doença. A Esclerodermia
é uma doença grave, disse o Dr.
Clements. Você não somente tem potencial
para doença pulmonar, mas também para
doença intestinal, cardíaca e renal que
são parte da esclerodermia. Com a exceção
da contagem baixa de células brancas do sangue,
disse, os eventos não são necessariamente
relacionados à droga, mas à doença.
O Dr. Clements salientou que alguns observadores acreditam
que a ciclofosfamida possa ser mais efetiva do que esse
estudo sugere. Muitos pacientes com doença grave
simplesmente não seriam incluídos em um
estudo controlado por placebo. O declínio na
função pulmonar entre pacientes não-tratados
com doença grave poderia ter sido maior do que
foi observado nesse estudo, e assim levaria a uma diferença
mais pronunciada entre os grupos, argumentam esses observadores.
A melhor terapia para doença pulmonar na esclerodermia
permanece desconhecida. De acordo com o Dr. Clements,
os resultados preliminares de um estudo no Reino Unido
realizado pelo Dr. Athol Wells, do Royal Brompton Hospital,
de Londres, e por seus colegas, mostram melhoras dramáticas
na função pulmonar entre pacientes recebendo
ciclofosfamida intravenosa por 6 meses uma elevação
de 3% em comparação com um declínio
de 3% entre aqueles recebendo placebo. Após 6
meses, os pacientes no estudo do Reino Unido mudaram
para Imuran (azatioprina), um imunossupressor teoricamente
inferior. Naquele contexto temos uma confirmação
de que a ciclofosfamida funciona e de que a imunossupressão
ajuda, disse o Dr. Clements. Embora, acrescentou,
certamente drogas menos nocivas seriam preferíveis.
A ciclofosfamida é uma droga que ajuda, disse.
Se ela é a droga certa, nós ainda
não temos certeza.
Modificado de Nelson C. Rheumatology News 4:16, 2005.
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