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A esclerose sistêmica pode ser classificada de
acordo com o grau de extensão do espessamento
da pele. Pacientes com um espessamento rapidamente progressivo
e disseminado, afetando o tronco e as extremidades (proximais
e distais), têm a sua doença classificada
como difusa e apresentam alto risco de desenvolverem
precocemente problemas viscerais em coração,
rim e pulmões principalmente. Já os que
possuem a doença limitada caracterizam-se
pelo acometimento apenas das extremidades dos dedos
e a face, podendo ter um intervalo de uma ou mais décadas
até o surgimento de alterações
viscerais características. A Esclerose limitada
pode muitas vezes ser chamada de síndrome
CREST por apresentar as alterações
que compõem a sigla: Calcinose,
fenômeno de Raynaud, dismotilidade
Esofágica, eSclerodactilia
e Telangiectasia.
Fenômeno de Raynaud. A exposição
ao frio e o estresse emocional podem induzir ao vasoespasmo
causando episódios característicos de
cianose nas extremidades dos dedos - a pele vai ficando
azulada. A falta de aporte sangüíneo leva
a um infarto (morte) dos tecidos e isto se manifesta
através de escaras ou mesmo gangrena. Na doença
limitada, o fenômeno é quase sempre
presente, geralmente antecedendo por anos ou décadas
as outras evidências da esclerose no paciente.
O mesmo não se diz quanto à doença
difusa, que apresenta o fenômeno inicialmente
em 75% dos casos.
Pele. O inchaço (edema) bilateral
e simétrico dos dedos, mãos e às
vezes dos pés é freqüentemente uma
manifestação precoce. Com o tempo este
edema vai endurecendo e tornando a pele espessa e sem
elasticidade. As dobras e rugas que o paciente costumava
ter normalmente desaparecem e a pele adquire um aspecto
brilhoso acompanhado também de hipo ou hiper-pigmentação
(figura 22). No subtipo difuso tal manifestação
se alastra rapidamente em uma direção
central, atingindo, no intervalo de meses, os braços,
a face, o tórax e o abdômen. No entanto,
há situações em que se observa
uma certa regressão no endurecimento da pele
ao longo de anos, iniciando curiosamente pelas regiões
acometidas por último. Enquanto isso, pacientes
com o subtipo limitado ficam com as alterações
da pele restritas mais aos dedos e mãos, podendo
em alguns casos apresentarem acometimento dos antebraços
e face. O surgimento de telangiectasias (dilatação
de pequenos vasos superficiais) nos dedos, lábios
e língua é mais uma alteração
presente na pele e mucosas, refletindo o dano sofrido
pelo sistema circulatório periférico.
Entretanto, esta é uma manifestação
tardia da doença, assim como é, também,
a calcinose subcutânea, característica
do subtipo limitado. São calcificações
que podem variar desde pequenos pontos de depósito
até grandes massas ulcerativas na pele, melhor
diagnosticadas com radiografias.
Articulações, tendões e
músculos. Uma manifestação
precoce e frenqüente no subtipo difuso
é a dor articular nas grandes e pequenas juntas.
Também pode haver acometimento inflamatório
de tendões (tendinites) e severas contraturas
em flexão. A limitação dos movimentos
pode ocasionar atrofia muscular.
Trato gastrointestinal. A hipomotilidade
do esôfago é um achado comum a ambos os
subtipos. A fraqueza do músculo esofágico
e sua incoordenação dificulta a ingestão
de alimentos sólidos. Com a perda da função
do esfincter esofágico inferior ocorre um reflluxo
do conteúdo gástrico causando esofagite
péptica (inflamação da mucosa do
esôfago). A dor retro-esternal em queimadura,
conhecida como azia, é um sintoma comum. O intestino
delgado também pode ser atingido provocando dor,
hipomobilidade intestinal, distensão abdominal,
diarréia, má absorção e
perda de peso. O comprometimento do intestino grosso
pode causar constipação em alguns pacientes.
Pulmões e coração. O
processo de fibrose próprio dessa doença
atinge também os pulmões restringindo
sua função. Mesmo assim muitos pacientes
não têm queixas de falta de ar (dispnéia).
Esse sintoma ocorrerá em um número pequeno
de pacientes que apresentam hipertensão da artéria
pulmonar. O envolvimento do músculo cardíaco
não é comum e restringe-se ao subtipo
difuso. No entanto, há uma alta taxa
de mortalidade quando ocorre prejuízo da função
cardíaca.
Rins. A “crise renal da esclerodermia”
geralmente acontece nas fases iniciais da esclerose difusa,
quando há intenso comprometimento cutâneo.
O paciente desenvolve hipertensão arterial maligna
e insuficiência renal aguda. No passado era a maior
causa de mortes em pacientes com esclerodermia, mas isso
foi superado com o diagnóstico precoce e tratamento
da hipertensão com drogas como os inibidores da
enzima de conversão do angiotensinogênio
(ECA).
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