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Uma Breve História da Esclerodermia


Enquanto a esclerodermia pode não ser muito bem conhecida pelas pessoas comuns, investigações revelam que ela tem estado por perto há muito tempo.

Referências Clássicas
Casos de doença de pele similares à esclerodermia podem ser encontrados nos escritos de Hipócrates nos anos de 460 a 370 a.C. Outros antigos, incluindo Oribasius (325 a 403 d.C.) e Paulus Agineta (625 a 690 d.C.), também escreveram sobre o assunto. É difícil para nós saber se estes foram verdadeiros exemplos de esclerodermia, porque as descrições foram inexatas.

A Primeira Referência Moderna

A primeira descrição verdadeiramente definida da doença foi escrita por Carlo Curzio em uma monografia publicada em Nápoles, em 1753. Essa narrativa produziu interesse considerável nos círculos médicos de Paris e de Londres.

A narrativa diz respeito a uma jovem mulher de 17 anos de nome Patrizia Galiera, que foi admitida no hospital e designada ao Dr. Curzio. Seus sintomas, como descrito pelo doutor, envolviam endurecimento da pele (diferindo em grau de lugar para lugar), estreitamento ao redor da boca e endurecimento em torno do pescoço. Ele notou perda do calor da pele, mas nenhum outro problema na pulsação cardíaca, respiração ou digestão. Muito do relato contém detalhes do tratamento, que incluiu leite quente e banhos de vapor, sangria dos pés e pequenas doses de mercúrio. Felizmente (de acordo com o relato), após 11 meses a pele tornou-se macia e flexível, e todas as funções naturais foram restauradas! As observações de Curzio foram publicadas em francês em 1755, e despertaram considerável interesse. Os textos dermatológicos iniciais de R. William em Londres (1808) e de seu estudante, J. L. Alibert, em Paris (1818), referiram-se às observações de Curzio.

A Esclerodermia Localizada É Descrita
Mais tarde, Alibert reivindicou ser o primeiro a reconhecer a doença, chamando-a "Sclerodermia Circumscripta", descrevendo dois casos que provavelmente seriam esclerodermia linear.

A Esclerodermia no Século 19

Parece haver pouca menção à esclerodermia na literatura médica nos anos intermediários até 1847. Naquele ano, M. Grisoll, em Paris, e C.P. Forget, em Estrasburgo, redescobriram a doença e abriram novas áreas de discussão e revisão.
Como mencionado anteriormente, Alibert inicialmente descreveu a esclerodermia localizada, mas T. Addison, em 1854, tratou de diferenciar outros tipos da doença, a partir da descrição de Alibert.
Em 1857, Erasmus Wilson identificou a "morphea" (morféia) e a forma "en coup de sabre" (em golpe de sabre), cujos termos resultaram da descrição das lesões de um de seus pacientes como "parecendo a cicatriz de um ferimento de espada." Incidentalmente, Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, usou a esclerodermia localizada como tema de sua história "The Adventure of the Blanched Soldier" (A Aventura do Soldado Escaldado).

A Primeira Associação de Esclerodermia com Doença de Raynaud
A vasoconstrição anormal com esclerodermia foi primeiramente documentada por M. Raynaud. Raynaud descreveu um fazendeiro de 30 anos de idade que, em 1863, começou a apresentar dormência em seus braços durante o inverno, e notou desenvolvimento gradual de endurecimento em suas mãos e escurecimento da pele. Hoje chamamos casos similares pelo nome de doença ou síndrome de Raynaud.
Finalmente, P. Horteloup escreveu um monólogo abrangente, em 1865, e o termo "esclerodermia" foi aceito de forma geral após muita discussão. Também em 1865, G. Lewin e J. Heller publicaram uma extensa revisão sobre a doença em Berlim.
O primeiro relato americano apareceu no "American Journal of Medicine", em 1869, e descrevia uma história de três pacientes. Mais tarde, em 1899, T. K. Monro reviu 180 casos de doença de Raynaud e relatou uma tendência marcada para esclerodermia em 13 casos. Em torno de 1900, mais de 500 casos de esclerodermia haviam sido relatados e discutidos na literatura médica.

O Século 20
Durante o início dos anos 1900 cada vez mais estudos ocorreram e os pesquisadores começaram a estudar a ligação da esclerodermia com outras doenças e o termo doença do colágeno desenvolveu-se. Contudo, em 1953, P. Klemperer no "American Journal of Pathology" alertou para que deveríamos ser cautelosos para não usar o termo doença do colágeno como um termo capaz de abranger qualquer doença sem causa definida. Hoje, utiliza-se a denominação "doença difusa do tecido conjuntivo" para identificar o grupo de doenças auto-imunes sem causa conhecida e com auto-anticorpos no seu quadro clínico, como o lupus eritematoso, a síndrome de Sjögren e a esclerodermia, dentre outras.
Adaptado de Walter Coyle, membro da "Scleroderma Foundation Treasurer and National Board" (originalmente publicado em "Scleroderma Voice", 2001 #4)

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