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A esclerose sistêmica ou esclerodermia é
uma doença do tecido conjuntivo de causa desconhecida
(idiopática) que se caracteriza por intensa produção
de fibrose em variados órgãos do corpo,
entre eles a pele. Raramente acontece na infância,
sendo mais freqüente na quinta e sexta décadas
da vida. As mulheres são mais acometidas que
os homens. A falta de um teste totalmente específico
para o diagnóstico e a relativa raridade da doença
impedem que estudos estatísticos mais esclarecedores
sejam realizados. Hoje em dia os critérios que
o médico utiliza para definir a presença
de esclerose sistêmica, apesar de terem alto grau
de sensibilidade e especificidade, ainda deixam escapar
do diagnóstico muitos casos em que a doença
se manifesta de forma branda ou atípica. Tem-se
observado uma relação entre a exposição
a agentes ambientais diversos, como por exemplo à
sílica, e o desenvolvimento de condições
similares à esclerodermia. A busca da causa e
do entendimento do mecanismo da doença tem ocorrido
através de estudos em cima desta relação,
além dos que visam associar também alterações
no sistema imunológico dos pacientes.
Fibrose da pele e de outros órgãos, incluindo
vasos sangüíneos, é a alteração
histológica mais característica da esclerose
sistêmica, muito embora não seja indispensável
que o médico solicite biópsias para firmar
o diagnóstico. Lesões vasculares ocorrem
em todos os órgãos afetados pela esclerose
e as microlesões podem ser vistas ao vivo no
exame do leito capilar presente na pele junto às
unhas, perto das cutículas – microscopia
capilar peri-ungueal. Vasos de calibre maior podem apresentar
um crescimento da camada mais interna, o que acarreta
estreitamento e mesmo oclusão da luz desses vasos,
levando a complicações nos tecidos nutridos
por eles (ferimentos superficiais, úlceras da
pele). Em linhas gerais, o mecanismo de funcionamento
da doença é entendido através de
uma alteração disseminada dos microvasos
do corpo que levaria a um processo de fibrose
intensa e desregulada, acometendo vísceras e
levando às manifestações expressas
clinicamente. O que tem-se acrescentado a esta seqüência
em estudos mais recentes é o fato de o sistema
imunológico estar envolvido no processo como
um fator desencadeador das alterações
vasculares, da fibrose ou mesmo de ambos.

Microfotografia de capilaroscopia periungueal,
exame indolor que pode mostrar
alterações típicas de esclerodermia
em estágio bem inicial, antes de outros
testes de laboratório estarem alterados.
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